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Black Mirror: Loch Henry e a cultura do true crime

Segundo episódio da nova temporada da série da Netflix abandona a tecnologia para embarcar no suspense

A sexta temporada de Black Mirror já está entre nós e, apesar dos novos episódios não serem tão focados em tecnologia, a discussão recheada de crítica social continua como uma marca registrada da série.

Loch Henry, segundo episódio da nova temporada da série, conta a história de Davis (Samuel Blenkin) e Pia (Myha’la Herrold), um casal de cineastas que viaja até a pacata cidade natal do rapaz, na Escócia, com o objetivo de filmar um documentário sobre a natureza da região.

Porém, ao chegarem na cidade, eles descobrem uma história real, envolvendo crimes cometidos no passado, que podem servir como um documentário mais atrativo. Apesar da resistência de Davis, os dois começam a registrar e vasculhar todo o mistério.

Loch Henry é Black Mirror em essência, criticando não só o consumo desenfreado de narrativas true crime, com séries, podcasts, filmes e a glamourização dessas figuras sociopatas, mas também fazendo uma autocrítica ao próprio modelo de negócios da Netflix, empresa responsável pela série.

Se, por um lado, há uma busca incessante por esse tipo de conteúdo, por outro, a empresa de streaming se consolida como uma plataforma para a cultura do true crime se popularizar, sendo o espaço para produções do gênero.

O lucro dessas produções é consequência direta do fomento para o gênero se solidificar. Reconhecer isso é saber que a única intenção, em algumas histórias, não é retratar a realidade, mas sim buscar a audiência.

Não há interesse nas vítimas, o objetivo é a produção de conteúdo em cima delas.

No último ano, Dahmer: Um Canibal Americano, produção que conta a história de Jeffrey Dahmer, um assassino em série americano, se tornou a segunda série de maior audiência da Netflix, perdendo apenas para a quarta temporada Stranger Things.

Além de Dahmer, indo para a HBO Max, tivemos a produção nacional Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez, documentário que mostra os detalhes do assassinato da atriz, e que logo se tornou a maior audiência da plataforma aqui no Brasil.

Ainda em 2022, tivemos também a explosão do podcast do jornalista Chico Felitti, intitulado A Mulher da Casa Abandonada, que investiga a história de vida de uma mulher que mora em uma mansão em um dos bairros mais ricos de São Paulo, e esconde a acusação de ter cometido nos Estados Unidos, vinte anos atrás, um crime hediondo.

O sucesso do gênero é tanto que, neste ano, a Rede Globo decidiu retomar a produção do programa Linha Direta, cuja primeira exibição aconteceu em 1999 e, desde 2007, estava interrompida.

O grande problema encontra-se na glamourização das personalidades por trás dessas histórias, e como a mídia trabalha esse papel de antagonista da vida real.

Loch Henry aborda a temática, trazendo o foco para a condução da narrativa, levando em consideração a maneira como consumimos as produções do gênero.

Estamos sedentos por mais detalhes, queremos mais informações e, temos anseio por novas descobertas e resoluções.

Se a série se afastou da tecnologia, certamente ela reforçou a sua crítica social.

Loch Henry é mais um produto da geração que está acostumada com “Isso é muito Black Mirror“.

Trailer da sexta temporada de Black Mirror

FICHA TÉCNICA

Loch Henry

Black Mirror: Sexta Temporada, episódio 02

Direção: Sam Miller

Roteirista: Charlie Brooker

Estrelando: Samuel Blenkin, Myha’la Herrold e outros.

Estreia: 15 de junho de 2023

NOTA: 8/10

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