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Crítica do Filme Morte Morte Morte (2022)

Filme de terror da A24, “Morte, Morte, Morte” é um reflexo da Geração Z

Cartaz promocional de “Morte, Morte, Morte”. Foto: Reprodução.

Antes de assistir à Morte, Morte, Morte, conversei com dois amigos que odiaram o filme. Eles diziam que nunca tinham visto personagens tão mal construídos, agindo feito idiotas, como se fossem caricaturas de si mesmos (talvez eles não tenham usado essas exatas palavras, mas a ideia era essa).

Confesso que as críticas negativas deles me deixaram intrigado. Fiquei pensando em como um filme de uma das minhas produtoras favoritas da atualidade, a A24 (responsável por filmes como A Bruxa, Hereditário, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo), poderia ser tão ruim como eles descreveram.

Fui, então, assistir ao filme com as expectativas baixas, mas com aquele pensamento em mente, das caricaturas. Para minha felicidade, o longa não é ruim como os meus amigos defendiam.

Morte, Morte, Morte conta a história de uma geração Z e os reflexos de crescer imerso em novas tecnologias. Se existe um lado positivo pautado no progresso tecnológico, no âmbito social, em especial das relações construídas entre os jovens, podemos afirmar que há uma verdadeira ruptura entre o agir fora das telas.

Cena de “Morte, Morte, Morte”. Foto: Reprodução.

O filme conta a história de um grupo de jovens podres de ricos, que resolvem dar uma festa em uma mansão durante a passagem de um furacão. Como adolescentes, no auge da puberdade e da falta de juízo, resolvem jogar um jogo chamado “Morte, Morte, Morte”.

E o que começa como uma brincadeira ingênua ganha camadas quando um dos jovens do grupo aparece morto, de forma misteriosa. Quem do grupo poderia ter cometido tal atrocidade? Todos se tornam culpados?

Acompanhamos a história através da ótica de Sophie (Amandla Stenberg) e Bee (Maria Bakalova), um casal de namoradas com um relacionamento de pouco mais de dois meses, onde uma faz parte do grupo de amigos há muito tempo, enquanto a outra é uma completa desconhecida. E as suspeitas, claro, recaem sobre a “estranha no ninho”, a Bee.

Amandla Stenberg e Maria Bakalova em cena de “Morte, Morte, Morte”. Foto: Reprodução.

Ao longo dos noventa minutos de duração do filme, vemos uma série de conclusões infundadas, suspeitas levantadas com base em “achismos” e conflitos mal resolvidos no grupo de amigos que, à primeira não resposta no grupo do WhatsApp, considera como excluída a pessoa que não se manifestou.

A geração Z, marcada por não conseguir largar o celular, encontra em Morte, Morte, Morte um espelho dos seus comportamentos e atitudes. E o necessário para evitar que a tragédia acontecesse estava bem diante do campo de visão deles o tempo todo.

Mas, como exigir cautela da geração do imediatismo? Tudo é para agora, nada pode esperar, e tudo termina com a próxima deslizada na tela.

Morte, Morte, Morte causa indignação e nos faz odiar, ainda mais, uma geração que não promete nada para o futuro. As distopias tecnológicas, como Black Mirror, WestWorld e Ruptura encontram, no filme, um reforço argumentativo de que não há esperança para a humanidade.

No final das contas, meus amigos só estavam certos em uma coisa: o filme é revoltante. Mas essa revolta é um combustível para discutirmos qual o futuro que queremos. Morte, Morte, Morte é, sim, mais um acerto da produtora queridinha de Hollywood e merece ser visto e discutido por todos.

Trailer oficial de “Morte, Morte, Morte”.

FICHA TÉCNICA

Morte, Morte, Morte

Título Original: Bodies, Bodies, Bodies

Duração: 95 min (1h 35 minutos)

Direção: Halina Rejin

Gênero: Terror

Estrelando: Amandla Stenberg, Maria Bakalova, Pete Davidson, Lee Pace, entre outros.

Lançamento Nacional: 06 de outubro de 2022

Nota: 7/10

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