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Crítica: King’s Man – A Origem abandona a comédia e acerta na ação

Visando retomar os bons dias, o novo filme da franquia foca na ação e em eventos históricos importantes

O primeiro filme da franquia baseada nos quadrinho, Kingsman: Serviço Secreto, fez um enorme sucesso ao combinar incríveis e elaboradas cenas de ação com uma comédia irreverente. Após falhar em repetir a fórmula de sucesso na sequência, a franquia tenta um recomeço sem Taron Egerton ou Colin Firth, apostando no filme recheado de personagens e eventos históricos importantes: King’s Man – A Origem. Mas e então, o que nos aguarda na origem da franquia?

King’s Man: A Origem apresenta a típica elegância inglesa no jeito que o roteiro conduz a sua história, alternando sempre o seu ritmo para estar sempre surpreendendo os espectadores. Porém, o longa falhou em desenvolver a própria mensagem, com o próprio enredo se acomodando com saídas previsíveis.

A trama acompanha a relação do Duque de Oxford (Ralph Fiennes) com seu filho Conrad (Harris Dickinson), enquanto ambos processam a dolorosa morte de Emilly durante o fim da Guerra dos Bôeres (1899-1902) na África do Sul. Com o inicio da Primeira Guerra Mundial, Conrad quer de qualquer maneira provar o seu valor lutando pela Inglaterra, enquanto o duque quer protegê-lo a todo custo dos horrores do mundo. Porém, em meio ao luto e as tensões da guerra, ambos se veem no meio de uma conspiração sinistra que envolve os piores tiranos da história, e para dar um fim a isso, eles vão precisar deixar o passado de lado e trabalhar juntos.

The King's Man - Le Origini, prime immagini e anticipazioni
Foto: Reprodução

A princípio, parece uma história de drama de família, que o filme desenvolve de acordo com a progressão do filme. E além disso, em certo ponto o filme finalmente nos apresenta uma envolvente trama de espionagem, introduzindo uma rede mundial de espionagem em crescimento constante conta com uma excelente administração do Duque de Oxford, juntamente com a governanta Polly (Gemma Arterton) e o guarda-costas Shola (Djimon Hounsou), que no futuro viria a se tornar a já conhecida Kingsman. Com muito pra explorar o filme ainda encontra espaço para nos entregar uma boa sequência de guerra.

Apesar de tentar inúmeras vezes garantir o entendimento do público que “Pessoas com privilégio devem liderar por exemplo”, o filme falha em explicitar um argumento concreto, como se os próprios roteiristas não soubessem bem o que fazer. Ao longo do filme, o Duque de Oxford se vê constantemente debatendo o seu lugar na sociedade e questionando o modo brutal de seus antepassados (em um raro momento de autocrítica britânica). Mas seus diálogos, mesmo que bonitos de se ouvir, nunca se refletem plenamente em suas ações. É sempre um meio termo com este filme.

Conrad (Harris Dickinson) e o Duque de Oxford (Ralph Fiennes). Foto: Reprodução

King’s Man – A Origem tenta ser um filme ousado acima de tudo, mas por se recusar a explorar suas ideias até as últimas consequências, acaba se tornando tão raso quanto as comédias anteriores da franquia, das quais o filme tenta se distanciar. Apesar disso o roteiro soube quando tomar algumas decisões muito corajosas, principalmente quando o filme nos entrega uma sequência de cenas de guerra que são bastante imersivas.

Ainda sobre a Primeira Guerra, o filme se manteve fiel ao acontecimentos históricos antes, durante e após a guerra a sua maneira. O filme nos mostra como foi arquitetado e como ocorreu o atentado e o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, o motivo pelo qual o rei da Inglaterra se viu obrigado a mudar o nome da Casa de Saxe-Coburgo-Gota para se tornar o primeiro monarca da Casa de Windsor, que vigora até os dias atuais, além de apresentar a relação conturbada de três primos que além do laço sanguíneo, eram também três dos maiores lideres mundiais da época: o Rei George V da Inglaterra, o Imperador Guilherme II da Alemanha e o Czar Nicolau II, todos interpretados por Tom Hollander, mostrando que a guerra foi além de uma briga por territórios e para manter seus compromissos com outras nações, foi também uma briga familiar, entre primos que apesar de brincar se maltratavam durante a infância.

Continuando nos eventos da Guerra, tivemos a entrada dos Estados Unidos após o Reino Unido interceptar o famoso Telegrama de Zimmerman. O filme também nos dá vislumbres do pós-guerra, apresentando um resumo da Revolução Russa, com o Czar Nicolau II assinando sua abdicação e passando o poder para Lênin logo antes de sua execução e uma breve cena pós-créditos que nos da um vislumbre da acessão do Nazismo, tudo arquitetado por uma sociedade vilanesca que visa controlar o mundo ao seu modo.

Quanto aos personagens históricos, sem duvidas o mais memorável é o místico russo Rasputin, interpretado por Rhys Ifans. Ele comanda a cena com sua presença, deixando uma imprevisibilidade no ar que se traduz também no seu estilo de luta que mistura dança, saltos e piruetas a golpes mortais extremamente precisos.

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Rasputin é interpretado por Rhys Ifans. Foto: Reprodução

No fim, King’s Man – A Origem trás questionamentos necessários, mas ainda não tem a coragem para impor seu ponto de vista, mas apesar disso, nos entrega um bom filme histórico, recheado de ação, que nos insere em toda a trama que envolveu a Primeira Guerra Mundial de maneira bastante empolgante e divertida.

King’s Man – A Origem estreia no dia 6 de janeiro de 2022.

Ficha técnica

Título: King’s Man – A Origem (The King’s Man)

Direção: Matthew Vaughn

Roteiro: Matthew Vaughn e Karl Gajdusek

Data de lançamento: 6 de janeiro de 2022

País de origem: Reino Unido

Duração: 2h 11min

Sinopse: O Duque de Oxfrod precisa convencer os Estados Unidos a se juntar à Primeira Guerra Mundial para proteger o Reino Unido do exército alemão, influenciado por uma conspiração secreta.

Nota: 6,0/10

Pôster de King’s Man – A Origem. Foto: Reprodução

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