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O Gambito da Rainha: Netflix é processada por enxadrista por fala sexista na minissérie

Nona Gaprindashvili, afirma que teve suas conquistas desmerecidas pela série.

Netflix e Scott Frank, criador da série O Gambito da Rainha, estão sendo processados por uma enxadrista real que triunfou na União Soviética e é citada na minissérie. Nona Gaprindashvili, a primeira mulher a receber o título de grande mestra do xadrez nos anos 1970, está alegando difamação por conta de uma fala em que seu nome é mencionado.

Série acompanha Beth Harmon (Anya Taylor-Joy), uma órfã norte-americana que aprende a jogar xadrez e se torna um dos nomes mais importantes do esporte, chegando a competir na União Soviética durante o período da Guerra Fria. É justamente nesse torneio final que Gaprindashvili é citada.

Durante uma partida de Harmon no episódio final, um comentarista fala sobre a protagonista:

A única coisa inusitada sobre ela é unicamente o seu sexo, mas isso não é único na Rússia. Existe a Nona Gaprindashvili, mas ela é a campeã mundial da modalidade feminina e nunca enfrentou os homens.

A ação movida por Nona Gaprindashvili afirma que a declaração “é inteiramente falsa, além de ser grotescamente sexista e reducionista”. A enxadrista ainda vai além e diz que, em 1968, quando o torneio se passa na minissérie, ela já tinha enfrentado 58 oponentes homens, sendo dez deles considerados grandes mestres do xadrez. O texto do processo afirma:

A Netflix mentiu deliberadamente e com afinco sobre as conquistas de Gaprindashvili, com o propósito barato e cínico de ‘aumentar o drama’ de fazer sua protagonista fictícia conseguiu fazer o que nenhuma mulher – incluindo Gaprindashvili – conseguiu antes.

Georgian chess legend Nona Gaprindashvili wins world championship in  Bucharest
Foto: Reprodução

A lendária enxadrista também afirma que a Netflix a ofendeu ao indicá-la como russa, sendo que ela nasceu na Geórgia, país que integrou a União Soviética:

Partindo para a ofensa, a Netflix descreveu Gaprindashvili como russa, apesar de saberem que ela é da Geórgia, e que o povo de lá sofreu sob a dominação russa durante a União Soviética, além de terem sido perturbados e invadidos pela Rússia depois.

O processo pede indenização de US$5 milhões, mais bônus, além de exigir que a fala seja removida da série. Ao Hollywood Reporter, a Netflix já respondeu o processo, dizendo:

A Netflix tem o maior respeito por Nona Gaprindashvili e sua ilustre carreira, mas acreditamos que não há mérito nessas acusações e vamos vigorosamente defender o caso.

O Gambito da Rainha segue no catálogo da Netflix, além de disputar em sete categorias do Emmy 2021, o grande prêmio da televisão.

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