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Resenha de A Noite das Bruxas

Filme traz visual ambicioso para uma história previsível, mas eficiente

Game of Thrones conquistou, no imaginário popular, o status de ser uma série com uma quantidade absurda de personagens, tramas e enredos que se desenvolviam simultaneamente. 

Durante a estreia da série, uma das falas mais comuns entre o público era “eu não consegui decorar o nome de todos os personagens”, que era retrucada com um “os que são importantes você vai lembrar”. 

De fato, após oito temporadas, é impossível não lembrar dos personagens principais.

Houve todo um arco de desenvolvimento para cada um deles ao longo do tempo, o que faz com que o espectador se importe com cada um deles – e fique enfurecido com o final de alguns (né, Daenerys). 

Apresentar vários personagens em uma série, com tempo para desenvolvê-los, é fácil.

Em um filme, isso já se torna uma tarefa um pouco mais complicada, exigindo que a duração se estenda por algumas horas.

Com a difícil missão de apresentar dez novos personagens, ao longo do filme mais curto dessa trilogia da Agatha Christie, com uma hora e quarenta e três minutos de duração, Kenneth Branagh retorna ao papel do detetive Hercule Poirot, mas dessa vez, em Veneza

A história começa com Poirot em completo exílio, vivendo em Veneza, até ser chamado por uma velha amiga, Ariadne Oliver (Tina Fey), para desmascarar a médium Joyce Reynolds (Michelle Yeoh), que se diz capaz de conversar com os mortos. 

Ariadne, personagem da Tina Fey, é uma escritora que ajudou a construir a fama do Poirot com romances inspirados em suas investigações.

Aqui, vemos mais do mesmo de toda a carreira da comediante, que com seu olhar irônico, consegue transmitir as sensações ideias para cada momento.  

Já a médium, personagem da Michelle Yeoh, rouba a cena.

Transitando entre o completo delírio, indo para a possessão e criando um ar soturno, Joyce é misteriosa e coloca o incrédulo detetive para refletir, questionando sobre o seu ceticismo. 

A reunião desses personagens acontece em uma mansão “mal-assombrada”, durante uma sessão espírita encomendada por Rowena Drake (Kelly Reilly), uma socialite cuja filha, aparentemente, cometeu suicídio. 

Como personagens, ainda temos o Dr. Leslie Ferrier (Jamie Dornan), um médico traumatizado pelos horrores da Segunda Guerra, Olga Seminoff (Camille Cottin), uma governanta religiosa assustada com as histórias da mansão, Maxine Gerard (Kyle Allen), noivo da jovem morta, Vitale Portfoglio (Riccardo Scamarcio), ex-policial e segurança pessoal do detetive Poirot, Desdemona (Emma Laird) e Alessandro (Amir El-Masry), jovens que ajudam Joyce em suas sessões espíritas. 

Com todos esses personagens, o destaque, porém, fica com o jovem Jude Hill, que interpreta Leopold Ferrier, filho do Dr. Leslie, uma criança com o dom da mediunidade.

Em suas poucas, mas consistentes aparições, o menino coloca mais uma pulga atrás da orelha do detetive Poirot, ampliando a dúvida entre realidade e sobrenatural.

Os demais personagens não são explorados pelo roteiro de Michael Green, que foca no ceticismo de Poirot para desenvolver a história.

Apesar da curiosidade do espectador em conhecer um pouco mais dos personagens potencialmente interessantes, o enfoque aqui está apenas em suas motivações para tentar “ludibriar” o sempre brilhante detetive, que precisa de uma explicação racional para os crimes que acontecem ao seu redor.

Ambientado quase que totalmente na mansão, a fotografia do Haris Zambarloukos consegue entregar um visual marcante para a história, com planos contemplativos da arquitetura gótica veneziana. 

Aqui, a regra dos terços é utilizada para gerar desconforto, com os personagens localizados sempre em um dos terços do plano. A ideia é criar uma sensação de claustrofobia, de um espaço muito reduzido, ainda que o resto do plano esteja vazio. 

Isso ajuda a criar um clima de pessimismo durante todo o filme, em especial no primeiro ato, estabelecendo o mistério central da trama, a dualidade entre o sobrenatural e o real. 

O visual estonteante, porém, não esconde a simplicidade do roteiro, que tenta construir as soluções mais absurdas para os assassinatos presentes na história, que no fim, se revelam muito mais simples do que realmente são. 

A dualidade entre o sobrenatural e o real é outro ponto que merece um pouco de atenção, já que o filme transita bastante entre ambos, deixando o espectador confuso sobre o que existe ou não, sem tomar partido. 

A Noite das Bruxas entrega mais do mesmo na franquia de adaptações literárias da Agatha Christie.

Com um mistério previsível, ao menos aqui, a história é sólida no que se propõe a entregar: uma diversão com ar de terror, em uma das cidades mais góticas do planeta.

Lindo, porém vazio.

Trailer oficial de ‘A Noite das Bruxas’. Vídeo: Reprodução/Youtube.

Ficha Técnica 

A Noite das Bruxas 

Título Original: A Haunting in Venice 

Direção: Kenneth Branagh 

Roteiro: Michael Green 

Duração: 1h43min 

Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Yeoh, Jamie Dornan, Tina Fey e outros. 

Estreia Nacional: 14 de setembro de 2023 

Sinopse: O detetive belga Hercule Poirot investiga um assassinato enquanto participa de uma sessão espírita de Halloween em um palazzo assombrado em Veneza, Itália.

Nota: 6/10

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