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Resenha de Os Fabelmans (The Fabelmans)

Cinebiografia de Steven Spielberg é uma carta de amor ao cinema

Steven Spielberg, Michelle Williams, Mateo Zoryan e Gabriel LaBelle nos bastidores de “Os Fabelmans (2022)”. Foto: Reprodução.

A primeira vez que entrei em uma sala de cinema foi para assistir a um filme do Renato Aragão, em 2004, chamado “Didi Quer Ser Criança”.

No auge da minha infância, a Turma do Didi era o máximo de entretenimento infantil que meus pais conseguiam bancar.

Se você me perguntar quais são as minhas memórias do filme, te adianto que não lembro de nada da história (talvez seja melhor assim).

Mas lembro, com toda a clareza, daquela sala de cinema e da sensação que, naquele período, não sabia explicar.

O cinema em que minha mãe me levou não era o maior da cidade, tinha apenas duas salas de exibição, que se dividiam entre filmes para crianças e filmes com classificação indicativa mais alta (a partir dos 12 anos).

A grande vantagem é que ele era mais barato e ainda dava pipoca de graça.

Cena do filme “Didi Quer Ser Criança (2004)”. Foto: Reprodução.

A experiência de ir ao cinema, ainda que em uma sala pequena, para ver um filme que nem lembro da história, de alguma forma, me cativou.

E eu não queria ir embora dali.

Queria entender como tudo funcionava, como a imagem passava na tela, o que acontecia antes e depois da exibição do filme, quem controlava tudo.

Esse fascínio cresceu tanto que, hoje em dia, ao menos uma vez na semana, vou ao cinema.

Diariamente, tento ver um filme (ou uma série) e, posso dizer que trabalho na área (mas ainda tenho muita areia para caminhar).

Mas aquele encanto pelo cinema em si, nasceu na infância, assim como acontece em Os Fabelmans (2022), novo filme do diretor Steven Spielberg, que é uma obra quase autobiográfica e uma celebração a sétima arte.

E nele, vemos um menino, Sammy Fabelman, que vai assistir a “O Maior Espetáculo da Terra (1952)” com a sua família, mas fica tão imerso e envolvido com a história que a torna parte da sua vida.

Cena de “Os Fabelmans (2022)”. Foto: Reprodução.

Apaixonado pela narrativa, Sammy começa a fazer seus próprios filmes dentro de casa, com o suporte de sua mãe, em uma tentativa de “ter o controle”, ainda que sua vida siga por outro rumo.

A história é, nas palavras do próprio Spielberg, um relato das memórias da sua infância, em família, e nos faz enxergar como o diretor vê a sétima arte e a importância dela ao longo de sua formação.

Traumas, conflitos familiares, problemas na escola por conta de sua origem judaica, está tudo ali, bem representado, além de servir como base para o telespectador acompanhar a história não só do protagonista, mas do próprio cinema, entre as décadas de 50 e 60.

O grande desenvolvimento da trama acontece no dilema de Sammy, em aceitar sua vocação ou sucumbir aos medos e não fazer nada.

O conflito é um tema recorrente na narrativa, servindo para construir a formação de um dos maiores diretores de Hollywood da atualidade.  

Há, ainda, a necessidade de entender o quanto ele precisa se distanciar de suas obras para ser o melhor cineasta possível, ainda que isso envolva contar uma mentira sobre uma pessoa horrível, só para fazê-la ser melhor diante da câmera.

Cena de “Os Fabelmans (2022)”. Foto: Reprodução.

A escolha do elenco, aqui, ganha destaque pelas atuações do Paul Dano, que vive um pai “distante” da família, mais preocupado em sua profissão e carreira, mas que consegue transmitir tranquilidade diante do caos.

Ele, contudo, não acredita que Sammy pode trabalhar com cinema, e sempre associa os filmes do filho como um hobby, algo que ele faz para se distrair.

O contexto histórico do filme, aqui, é importante para compreendermos a visão do pai do protagonista, que mantém um pensamento mais tradicional e, diante das inúmeras mudanças propostas pelo local onde trabalha, está em constante deslocamento com sua família.

Ele quer que o filho faça algo grandioso, uma profissão que o torne “alguém” importante para a sociedade, como um engenheiro, um médico ou um advogado.

Sua mãe, por outro lado, interpretada pela Michelle Williams, entrega todo o suporte e incentivo que o filho precisa, mas vive um conflito entre ser uma matriarca dedicada com a família e os desejos que possui para si mesma, mas que foram reprimidos ao longo de sua vida.

A mãe ama tocar piano, e possui um talento nato para as artes, mas nunca teve a oportunidade de seguir sua vocação.

Ela enxerga, no filho, uma possibilidade de realizar seus sonhos, através da felicidade dele.

Trailer oficial de “Os Fabelmans (2022)”

Pai e mãe, junto com o jovem Samuel Fabelman, interpretado por Mateo Zoryan durante a infância, e por Gabriel LaBelle durante a adolescência e começo da vida adulta, compõem o núcleo central da história, servindo de espelho para as atitudes do jovem cineasta, que absorve a calma do pai e a paixão da mãe para se tornar único.

A relação familiar entre Sammy, seus pais e suas irmãs, Natalie, Lisa e Reggie Fabelman, serve para moldar a personalidade do protagonista, que precisa compreender qual é o seu lugar no mundo, suas aspirações, quem ele quer ser e tudo o que terá que abrir mão para seguir sua vocação.

Na parte técnica, outro fator importante para o filme é a trilha sonora, em uma parceria repetida entre o Spielberg e o John Williams, sendo marcante para ditar o ritmo da narrativa.

Já a direção de fotografia fica por conta de outra antiga parceria do Spielberg, desta vez com o Janusz Kaminski, intercalando os momentos de transição entre o filme em si e as filmagens do jovem Fabelman.

A montagem do filme facilita a sua duração, que pode parecer extensa para uma cinebiografia, mas que se intercala com os momentos marcantes da história do próprio cinema, de Hollywood e de toda a produção

Em essência, Os Fabelmans (2022) é uma carta de amor ao cinema, que precisa ser visto nas telonas, trazendo uma visão intimista de um dos grandes nomes da sétima arte.

Cena de “Os Fabelmans (2022)”. Foto: Reprodução.

FICHA TÉCNICA:

Os Fabelmans

Título Original: The Fabelmans

Duração: 2h31min

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Michelle Williams, Paul Dano, Gabriel LaBelle, Seth Rogen e outros.

Lançamento Nacional: 12 de janeiro de 2023

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