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RESENHA: I Wanna Dance with Somebody: A história de Whitney Houston

As músicas (eternas) de Whitney Houston emocionam, também, nas telonas

Por Juliana Garrido

Certamente você tem algum álbum musical favorito e arrisco dizer que é justamente esse que reúne todas as melhores músicas. Acertei? O filme I Wanna Dance with Somebody: A história de Whitney Houston é assim, exatamente o “álbum” com as músicas favoritas da cantora (praticamente todas nesse caso, e não é exagero), as músicas avassaladoras, as músicas emocionantes acompanhadas de “choques de realidade”.


Baseado na vida e carreira da cantora e atriz Whitney Houston, o longa começa no ano de 1983 com Whitney jovem e já backing vocal de sua mãe Cissy Houston, cantora profissional. Elas se apresentavam em igrejas e em boates da cidade. Certo dia, o produtor musical Clive Davis assiste umas das apresentações de Whitney e convicto de se tratar da melhor voz de sua geração, investe na jovem cantora contratando-a através da Arista Records. Whitney rapidamente se torna o maior sucesso de público interpretando canções grandiosas, românticas, dançantes, mas, principalmente, canções com letras que a inspiravam. Ao mesmo tempo em que alcançava o estrelato, a vida cercada por dor, censuras, traições, drogas e relacionamento abusivo golpeia a artista.

Stanley Tucci e Naomi Ackie em I Wanna Dance with Somebody: A história de Whitney Houston (2023).
foto: reprodução

Dirigido pela cineasta Kasi Lemmons (Harriet – O caminho para a Liberdade) com roteiro de Anthony McCarten (Bohemian Rhapsody; A Teoria de Tudo) e produção musical de Clive Davis, I Wanna Dance with Somebody apresenta um recorte da vida de Whitney Houston priorizando suas interpretações musicais de maior sucesso ao longo da carreira. A escolha da atriz Naomi Ackie (da série The end of the f***ing world) para encarnar Whitney Houston foi muito acertada, ela captou a energia e a confiança da cantora, e os seus trejeitos, o público até esquece que não é Whitney e sim, Naomi. Além disso, o ator Stanley Tucci (de O Diabo veste Prada e Jogos Vorazes) no papel de Clive Davis entregou mais uma performance cativante sendo o apoio emocional de Whitney na sua jornada.O filme conta também com atuações impecáveis de Ashton Sanders como Bobby Brown, Tamara Tunie como Cissy Houston e Nafessa Williams como Robyn Crawford que representam as dores e os amores da protagonista. Todos, a sua maneira, torciam e reconheciam o talento nato do fenômeno Whitney Houston.

Naomi Ackie como Whitney Houston. Sony Pictures. Foto: reprodução

A trilha sonora, a verdadeira protagonista do filme, está impecável. Os clássicos estão todos lá, na voz da própria artista, e o roteiro privilegiou as melhores músicas e apresentações que Whitney fez ao longo da carreira. A cena com a primeira música, “The Greatest Love of All”, é arrepiante e não há dúvidas de que a princesa da família Houston é a melhor voz da sua geração.Destaque também para a apresentação do hino nacional dos EUA (Star Spangled Banner) no XXV Super Bowl que, com seu estilo e interpretação únicos, Whitney eternizou acompanhada da bela fotografia marcada pelos tons azul, vermelho e branco da bandeira estadunidense.Além disso, a performance da música título “I Wanna Dance with Somebody” é muito “alto astral” e mexe com os telespectadores. A sempre sucesso “I Will Always Love You” emociona e escutamos tanto na versão original quanto na interpretação da cantora e sim, Kevin Costner aparece rapidinho num trecho de “O Guarda Costas” para trazer mais beleza a tela grande. E ainda, o Gran Finale com o Medley Impossível, quer dizer, não para Whitney Houston.

A escolha do roteiro, porém, omitiu passagens desagradáveis da vida da cantora e muitos dos escândalos que saíram na mídia na época envolvendo sua orientação sexual, seu casamento abusivo e o uso de drogas. As músicas preenchem quase todo o tempo do filme e boa parte da emoção alcançada pela audiência é transmitida pela força das canções e não pela construção cinematográfica. O roteirista do filme, o mesmo do polêmico Bohemian Rhapsody com a vida de Freddie Mercury, repetiu a decisão de maquiar a trajetória da cantora e não intensificar o drama construído. Essa atitude, porém, reflete um respeito a memória de Whitney e a sua família que foram bastante massacrados e explorados pela mídia. Por exemplo, em cenas entre Bobby Brown e Whitney, quando o marido ameaça a esposa, a violência física não é mostrada. Entretanto, diferente de Bohemian Rhapsody, o longa mostra o declínio de uma das maiores cantoras que o mundo já viu e causa tristeza a quem assiste.

I Wanna Dance with Somebody: A história de Whitney Houston merece ser assistido por todos. O filme é um presente com os melhores momentos (e músicas) da trajetória de uma cantora fenomenal, premiada, recordista e com apelido de “The Voice” muito antes do programa de mesmo nome existir. Whitney era dedicada, criativa, visionária e totalmente apaixonada por música. Geralmente, quando uma pessoa morre, a comunidade a sua volta atribui a ela características positivas e uma grandiosidade que muitas vezes não existiam, com a morte de Whitney, o mundo chorou, deu adeus e sentiu saudades, pois toda a grandiosidade sempre esteve com ela. I will always love you.

Naomi Ackie interpretando o Medley Impossível. Foto: reprodução

NOTA: 8,5/10
FICHA TÉCNICA:
Nome: Whitney Houston: I Wanna Dance with Somebody
Diretor: Kasi Lemmons
Roteirista: Anthony McCarten
Duração:146 min
Gênero: Drama/Musical
Estrelando: Naomi Ackie; Stanley Tucci; Ashton Sanders…
Estreia Nacional: 12 de janeiro de 2023

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